Pinípedes

  A ordem Pinnipedia inclui as focas, os leões-marinhos e as morsas. São também animais notavelmente adaptados para a vida no mar.
   Os registros fósseis mais antigos do que se poderia considerar um ancestral dos pinípedes datam do início do Mioceno, com aproximadamente 23 milhões de anos. Seus corpos são fusiformes, oferecendo resistência mínima ao avanço através da água. O ouvido externo é muito reduzido, sendo as orelhas (pavilhão auditivo) completamente ausente nas focas.
   Os olhos são grandes e proporcionam uma ótima visão subaquática.
   Os membros foram modificados pelo processo evolutivo, constituindo as nadadeiras peitorais e traseiras.
   A cauda, inserida entre as nadadeiras traseiras, é curta e quase imperceptível. A pele dos pinípedes é bastante espessa e peluda, com exceção da morsa (Odobenus rosmarus LINNAEUS 1758), que ocorre apenas nos mares frios do Hemisfério Norte.
   Sob a pele, como os cetáceos, há uma camada de gordura que funciona como isolante térmico de corpo e reserva energética. Uma vez que a maioria dos pinípedes habita as áreas mais frias dos oceanos do planeta, a regulação da temperatura corporal é uma questão vital.

  Sua temperatura interna é essencialmente constante e aproximadamente igual a humana. Tanto a pele como as nadadeiras são providas de redes de capilares bem desenvolvidos; assim, quando o corpo fica superaquecido, o sangue é resfriado ao passar rapidamente nestes capilares superficiais.
   Quando, em contrapartida, a temperatura corporal declina além do normal, o fluxo de sangue para as áreas periféricas é reduzido, conservando o calor do corpo.
   Os pinípedes podem permanecer submersos por períodos de tempo relativamente longos e, algumas espécies podem realizar mergulhos bastante profundos. Estes mergulhos exigem do animal uma grande atividade física e uma apnéia de vários minutos.
   Para poder efetuá-los, os pinípedes são dotados de válvulas em vários pontos do sistema circulatório que, como nos cetáceos, diminuem o fluxo de sangue para algumas partes do corpo a fim de assegurar o fornecimento de oxigênio para o cérebro e o coração. Este último reduz seus batimentos, durante o mergulho, até cerca de um décimo do batimento normal à superfície. Além dos "latidos" característicos que emitem em terra, foi constatado já a algum tempo que os pinípedes são capazes de produzir sons debaixo d'água.
   É possível que estes sons sirvam para algum tipo de ecolocação, para orientação e localização de alimentos à noite ou em águas escuras.


   Das famílias que compõem a ordem Pinnipedia, duas delas estão representadas em águas brasileiras: Otariidae (oterídeos, leões-marinhos ou lobos-marinhos) e Phocidae (focas).